Review Lelit Anna PL41TEM: a melhor máquina de espresso até 650€?
Francisco CarvalhoShare
Passámos algumas semanas a testar a Anna PL41TEM na Caseta Coffee com diferentes cafés, receitas e bebidas de leite para perceber exatamente onde brilha e onde tem limitações e a verdade é que, para nós, continua a ser uma das máquinas com melhor relação qualidade-preço do mercado,
Quem é a Lelit?
A Lelit é um fabricante italiano especializado em máquinas de espresso domésticas e prosumer. Ao contrário de muitas marcas que produzem uma grande variedade de eletrodomésticos, a Lelit está totalmente focada no universo do café.
Todas as máquinas são desenhadas e fabricadas em Itália, com uma abordagem muito próxima do que encontramos no equipamento profissional: componentes robustos, construção em aço inoxidável e foco na extração.
Nos últimos anos, a marca tornou-se uma referência para quem procura dar o salto das máquinas domésticas mais básicas para algo mais próximo da experiência de uma coffee shop.
Especificações principais
A Anna PL41TEM é uma máquina single boiler equipada com PID e manómetro frontal.
Características técnicas
- Fabricada em Itália
- Caldeira de 250 ml
- PID para controlo de temperatura
- Grupo Lelit57mm
- Válvula solenoide de 3 vias
- Manómetro de pressão
- Depósito de água de 2,7 litros
- Corpo em aço inoxidável escovado
- Potência: 1200W
Dimensões
- Largura: 23 cm
- Profundidade: 26,5 cm
- Altura: 34 cm
- Peso: aproximadamente 7,2 kg
É uma máquina relativamente compacta, especialmente quando comparada com modelos equipados com grupo E61.
O setup de teste

Para esta análise, nos nossos testes, utilizamos um moinho Fiamma Supra 68, um moinho de qualidade para avaliar o potencial máximo da Anna sem limitações na moagem.
Café de testes 1: House Blend Caseta Coffee para torra média
- Dose: 17,5g
- Extração: 48g
- Temperatura: 92°C
Café de testes 2: Etiópia Caseta Coffee para torra clara
- Dose: 17,5g
- Extração: 45g
- Temperatura: 93°C

Também testámos a capacidade de vapor com leite gordo Vigor e bebida vegetal de aveia do Pingo Doce.
O que gostámos
Estética italiana clássica
O design extremamente italiano. Os botões mecânicos, os interruptores clássicos e a frente em aço inox dão-lhe um carácter muito próprio.
PID eleva muito, a experiência.
Este é provavelmente o principal motivo para escolher a PL41TEM em vez das versões mais simples da Anna. Poder definir a temperatura de extração permite adaptar a máquina ao café que estamos a utilizar. Nos nossos testes, o House Blend respondeu muito bem aos 92°C, enquanto o Etiópia ganhou mais expressão e doçura aos 93°C/94.
Potência de vapor impressionante
Aqui fomos genuinamente surpreendidos. A caldeira tem apenas 250 ml, mas a capacidade de produção de vapor está claramente acima daquilo que esperávamos. Conseguimos texturizar tanto leite gordo como bebida de aveia sem grande dificuldade. Não é uma máquina de coffee shop, obviamente, mas para utilização doméstica ou pequenas quantidades de bebidas com leite está muito acima da média da categoria.
Novo depósito de água
As versões mais recentes melhoraram bastante este aspeto. O depósito já não utiliza a tampa interna que algumas versões anteriores tinham, tornando o enchimento muito mais simples no dia-a-dia.
Cesto IMS incluído
Outro ponto positivo. A inclusão de um cesto IMS de origem é algo que normalmente vemos apenas em máquinas mais caras. Permite começar imediatamente a extrair café de especialidade sem sentir necessidade de upgrades imediatos.
Recuperação entre shots
Apesar da caldeira de apenas 250 ml, a recuperação térmica revelou-se bastante competente. Conseguimos fazer vários espressos consecutivos depois de apenas alguns segundos (+/- 30 segundo a 45 segundos) de recuperação, a máquina volta à temperatura predefinida. Para uma single boiler desta dimensão, é um resultado bastante impressionante.
O que gostámos menos
Grupo de 57 mm
Este é provavelmente o maior compromisso. O grupo Lelit57 funciona muito bem, mas o mercado está claramente orientado para 58 mm. Na prática significa menos opções de acessórios aftermarket, menos escolha de tamper, filtros, baskets e outros componentes.
O tamper incluído
Aqui não há muito a dizer. A qualidade do tamper não acompanha a qualidade da máquina. Funciona, mas a maioria dos utilizadores que levam o espresso minimamente a sério vai querer substituí-lo rapidamente. Diríamos mesmo que é dos pontos mais fracos do conjunto.
Espaço para balança
A altura disponível entre o grupo e o tabuleiro de extração é limitada. É possível utilizar balanças compactas, mas algumas combinações de chávena e balança tornam-se apertadas. Além disso, a grelha possui um ligeiro desnível relativamente à base, algo que notámos durante os testes. 
Como se comporta na chávena?
É aqui que a Anna justifica a sua reputação. Com o House Blend da Caseta obtivemos espressos extremamente equilibrados, com excelente doçura, corpo e consistência. No Etiópia, o objectivo era testar torras mais claras e a máquina mostrou capacidade suficiente para destacar notas mais delicadas e maior complexidade aromática, algo que nem sempre acontece nesta gama de preço de entrada. O PID faz uma diferença real. Permite afinar a extração e repetir resultados de forma muito mais previsível.
Veredicto Final
A Lelit Anna PL41TEM é uma das melhores compras no segmento até 650€.
Na verdade, durante os testes ficámos várias vezes com a sensação de que a qualidade de extração está mais próxima de máquinas significativamente mais caras do que de muitas concorrentes diretas da mesma faixa de preço.
O grupo de 57 mm e o tamper incluído deixam algo a desejar, mas os pontos fortes superam claramente as limitações.
- Excelente estabilidade térmica.
- Excelente vapor.
- Excelente construção.
- Excelente qualidade na chávena.
Para quem vem de máquinas como Sage Bambino, Sage Barista Express, Delonghi Dedica, Delonghi Specialista ou equipamentos semelhantes, a Anna representa um salto muito significativo na experiência de espresso.
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